África, a “beautiful Africa”, é cada vez mais um novo El Dourado para a China; 10% do comércio africano é feito com a China.
É de lá que chega o principal fornecimento petrolífero – Angola é neste momento o principal fornecedor de crude à China tendo destronado a Arábia Saudita, o até agora maior fornecedor – que sustenta o maior desenvolvimento económico da actualidade.
Em África está aquele que parece ser o novo campo de concentração de alguns dos seus condenados e onde, no fim dos contratos, são depois esquecidos.
É no Continente africano que conseguem promover os seus produtos através de contratos de concessões bem leoninas; ou seja, eles fornecem os créditos mas, também, as empresas, o pessoal, o material e as evidentes provas de péssima qualidade dos seus produtos acabados – basta ler alguns apontamentos no blogue “Ondaka Usongo” – situação que já não é de agora mas que os estados africanos parecem ter tendência para esquecer (recordemos, por exemplo, como exauriu a linha férrea TanZam que previa libertar a Zâmbia e a Tanzânia das tradicionais linhas férreas de Angola, da África do Sul e de Moçambique).
Em pouco mais de seis anos, o comércio da China com África aumentou mais de 400% com particular destaque para os produtos petrolíferos e gasosos, minério de ferro, madeiras, algodão e outros minerais importantes para o desenvolvimento daquela que é, nesta altura, a quarta economia mundial.
Por isso não é de espantar que tenha decorrido, em Beijing, a conferência sino-africana para o Comércio e Desenvolvimento (FOCAC) com a presença de Chefes de Estado e de Governo e empresários da maioria dos 50 Estados africanos. De registar que dos afro-lusófonos estiveram presentes os presidentes de Moçambique e da Guiné-Bissau e os Chefes de governo de Angola e Cabo Verde. São Tomé e príncipe, naturalmente porque tem relações com Taiwan, não se fez representar.
Mas não é só nos produtos petrolíferos e nas infra-estruturas rodoviárias que a China está presente. No Gana vão participar num projecto hidroeléctrico que ascende a 600 milhões de dólares americanos; parece que desejam entrar no capital do complexo hidroeléctrico de Cahora Bassa – vozes “caladas” de Maputo afirmam que são os chineses que estarão a disponibilizar os fundos com que Moçambique vai liquidar a compra do capital do complexo a Portugal.
Algumas vias rápidas e exploração de gás, na Nigéria; uma fundição do alumínio, no Egipto; uma rede telegráfica rural, no Gana; o novo estádio de Maputo; incremento de actividades petrolíferas, no Sudão, são alguns dos projectos que vão acolher os cerca de 1,9 mil milhões de dólares americanos celebrados durante a Conferência e com mais 2500 acordos em carteira para uma próxima oportunidade.
Mas se o apoio chinês é maioritariamente económico, o político também não esteve fora da Conferência com o aplauso sudanês à não votação chinesa de apoio ao envio de forças da ONU para Darfur e as presenças polémicas de Mugabe, do Zimbabwé, e de el-Bechir, do Sudão.
Como referia há dias uma consultora sul-africana a estratégica política chinesa em África não passa só pela aproximação a países detentores de recursos essenciais, como o petróleo, é muito mais sofisticada e cirúrgica do que parece sugerir.
É a velha, mas cada vez mais actual, política chinesa do Mahjong em toda a sua plenitude.
Entretanto, foi constituída a Câmara de Comércio China-África.
Artigo publicado no portal “Canal de Moçambique”, em 13.Nov.2006
