Eugénio Costa Almeida
A semana que passou foi prenhe em epítetos de raiz pouco agradável para África, qual deles o mais interessante. Ou seja, o estigma da corrupção e burocratização voltou, e em força.
Segundo o relatório Corruption Perception Index 2004(1) da organização não-governamental Transparency International (TI), com sede em Berlim, estão em África alguns dos países mais corruptos do Mundo.
De acordo com aquele relatório, entre os africanos, só o Botswana, com 6 pontos, em 10 possíveis, na posição 31, e a Tunísia, com 5, em 40º, conseguem obter uma pontuação positiva, à frente de países como a Itália e Hungria (42ºs. com 4,8), Estados-membros na União Europeia. Portugal, no 27º posto, obtém 6,3 pontos.
De notar, no entanto, que dos 146 países ou territórios analisados, 106 (entre estes 33 são africanos) estão claramente no patamar abaixo dos 5 pontos. Daí que devemos considerar estarem em plano de destaque tanto a África do Sul com 4,6 pontos como as Seychelles com 4,4 ou as Maurícias e Namíbia com 4,1 pontos cada.
Em posição claramente negativa temos Moçambique, na posição 93, com 2,8 pontos e Angola, em 133º, com 2,0 pontos, só “ultrapassada” neste convénio africano pelo Congo Democrático, Costa do Marfim, Chade e Nigéria – este o terceiro país mais corrupto dos 146 analisados. Interessante que neste relatório, nem Cabo Verde, Guiné-Bissau ou São Tomé e Príncipe são referidos ou analisados.
Ora de acordo com esta TI, é no sector público que está implantado em larga escala a corrupção, obstaculizando e minando o desenvolvimento sustentado, com reflexos evidentes na educação, na saúde e na minoração da pobreza tanto nos chamados países desenvolvidos como nos em vias de desenvolvimento, como são os casos concretos de África.
Mas a TI vai mais longe. Segundo os analistas daquela organização, em 2015, a pobreza generalizada e a corrupção no sector público atingirão níveis incomportáveis para a generalidade dos Estados em vias de desenvolvimento.
Para os analistas da TI é entre os mais ricos países produtores de petróleo que vamos encontrar os que mais tendencialmente escorregam para a corrupção. Ora nestes países - Angola, Azerbaijão, Chade, Equador, Indonésia, Irão, Iraque, Cazaquistão, Líbia, Nigéria, Rússia, Sudão, Venezuela and Yemen – o sector público domina, em larga escala, os contratos com a prospecção, extracção e comercialização do crude, estando por isso sujeito às pressões corruptoras de executivos ocidentais que fazem desaparecer nos bolsos de intermediários e funcionários locais com vista a obtenção de contratos favoráveis.
E por esse facto não é de admirar que um relatório, citado pelo AngoNotícias(2), intitulado “Fazer Negócios em 2005: A Remoção dos Obstáculos ao Crescimento” elaborado conjuntamente pelo Banco Mundial e pelo IFC(3) - estes organismos coordenam os empréstimos e analisam os livres empreendimentos e negócios no sector privado - venha afirmar que em África estarão os países mais burocráticos do Mundo. Angola obtém o “maravilhoso estatuto” de 2º país mais burocratizado de África.
Ora para este estudo só os sul-africanos e os tswanas são merecedores de elogios considerando, ainda, que a maioria dos países africanos não se preocupam em aprender com o seu exemplo.
Notemos uma facto. De acordo com o referido relatório, entre os 20 países mais burocratizados do Mundo, 16 são africanos.
Há necessidade de mais considerações?
Por favor corruptos e burocratas de África desuni-vos e emigrem. O Continente precisa de se desenvolver.

Notas de rodapé:
1)  http://www.transparency.org/pressreleases_archive/2004/2004.10.20.cpi.en.html
2) http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=2803&PHPSESSID=57ab830100b2236e5a1c4a6eb54dc2f6
3)  http://www.ifc.org/

Publicado no "Semanário África", de 1.Nov.2004, pág. 24
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