Por altura da eleição de João Lourenço prognostiquei que o recém-eleito João Lourenço poderia ser, por aquilo que defendia, um possível Gorbatchev.
Numa questão que lhe foi colocada em Espanha se se achava um futuro Gorbatchev angolano, como prévia, ele preferiu ser visto como um novo Deng Xiaoping, porque desejava abrir o sistema e combater tudo o que poderia manter o status quo como estava.
Houve natural incredulidade nessa vontade que parecia ser legítima. Eu estava entre os que duvidavam, dado o que estava enraizado e porque iria ter de governar com a "umbrella" do líder do partido que, como se sabe e pelos seus estatutos, é quem determina a linha política do Governo.
Ora, João Lourenço não só conseguiu libertar-se dessas "algemas" como foi, claramente, mais longe.
Alternou uma governança discreta, num ponto de vista meramente político, com uma governação de impacto em questões financeiras, embora pudesse ter ido mais longe, nomeadamente, naquele que foi o seu maior momento: a questão do retorno de capitais.
Ainda assim, o impacto que isto teve, foi o início de um pequeno maremoto na vida política interna do MPLA.
Mas, também com impacto dentro da Oposição. O retorno do corpo de general Ben Ben (e possível de Savimbi, provavelmente, desconfio, a 22 de Fevereiro, pelo aniversário da sua morte) foi algo que, pode-se dizer, adormeceu, ainda mais - e se isso ainda era possível - a Oposição
Todavia, se a nível político e financeira - não incluo a variação contínua e continuada do Kwanza - houve alterações e alguns impactos assinaláveis, a nível económico continuamos dependentes de uma mono-economia baseada, essencialmente, na exploração e exportação do petróleo.
Já houve tempo de começar a procurar uma maior diversificação da nossa economia.
Compreendo, por exemplo, que a China é o nosso maior parceiro económico, apesar de ser vontade de João Lourenço diversificar a nossa economia por outros parceiros como já tem procurado fazer, reincluindo, de novo, Portugal; mas manter vá China como principal e nos endividar ainda mais, não me parece boa medida. É que, como já escrevi, não há almoços grátis...
O The Economist ainda ontem alertou para isso. Mas como também já escrevi, Roma e Pavia não se fizeram num dia, não podemos esperar que o Presidente faça num ano aquilo que o antecessor não fez em 38 anos.
Vamos aguardar o(s) próximo (s) ano (s). Uma das medidas é as eleições regionais. Outra, como angolano na Diáspora que possamos fazer uso de um direito que nos tem sido cortado: o direito de voto.
Finalmente, uma das coisas que Deng Xiaoping fez foi rever a Constituição de modo a que ela se adeque à nossa verdadeira realidade. Até para dar mais força à Justiça que, ultimamente, entrou nos escaparates diários da comunicação social.
Ele bem avisou antes e depois das eleições que a corrupção tinha de ser forte e claramente combatida.
Veremos até onde João Lourenço irá.
Publicado em 24 de Setembro de 2018 pela Agência LUSA com o título « João Lourenço/1 Ano: Maior momento foi a questão do retorno de capitais – investigador» Esta análise/opinião, concedida à Agência LUSA pode ser lida, na íntegra, aqui
