Na Guiné-Bissau aconteceu o que já se previa. O Supremo Tribunal de Justiça (o Tribunal Constitucional) guineense confirmou a eleição de João Bernardo “Nino” Vieira como presidente da República da Guiné-Bissau e chumbou o recurso interposto pela equipa de Malan Bacai Sanhá. O interessante não está na confirmação ou na rejeição da vitória de "Nino" Vieira. Está, isso sim, no acórdão ao considerar extemporâneo o referido recurso de Bacai Sanhá. Ou seja, os juizes guineenses desmarcaram-se da sua obrigação: Ouvir as partes e decidir em conformidade.
Mas também, depois do Presidente português, Jorge Sampaio, já ter mandado um telegrama de felicitações, na senda do que o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Freitas do Amaral, já tinha feito, e dos franceses ofertarem dinheiro para Guiné-Bissau, quem iria contrariar uma Comunidade Internacional que não queria ser conotada com a eventual ilegalidade que, segundo palavras da própria CNE, parecem ter realmente ocorrido?
O candidato derrotado, embora questionando a decisão do Supremo, parece ter aceite o acórdão; o Primeiro-Ministro Gomes Júnior remete para palavras de Kumba Ialá quando a dada altura afirmou “que os juizes (do STJ) foram demitidos porque não serviam os interesses do povo” e a ONU muito pilática e salomonicamente pediu moderação aos dirigentes políticos guineenses e o restabelecimento da ordem constitucional e a estabilidade no país e, ao mesmo tempo, exortou-os a absterem-se de actos que possam pôr em perigo todas diligências a favor da paz e da estabilidade no país.
Para isso muito terá de contribuir a Comunidade Internacional ou o inimigo nº 1 de “Nino” aquele que se salvou da purga que levou à morte muitos dos seus camaradas de guerra não ficará quieto; quer queiram Portugal, França ou Senegal, quer não.
E, já agora, como vai ser o novo Governo do país? Um sistema de coabitação política?
Publicado no Noticias Lusófonas / Opinião, de 22.Ago.2005
