O número de conflitos no Continente africano diminuiu nos últimos anos, mas o caminho para a democracia, para o desenvolvimento e para a oz é ainda longo. África continua a ser uma região quase toda marcada pela fragilidade dos acordos de paz. Os africanos estão a comemorar mais um dia do seu Continente. Como habitualmente com as maiores das alegrias devido ao seu exponencial desenvolvimento e bem-estar social, assente numa paz duradoira e num sistema político límpido e anti-corruptivo. Pronto… já estou acordado; já parei de sonhar.
Antes não fosse necessário. Sinal seria que África caminhava para a sua auto-suficiência política, económica e social.
Infelizmente nada disto acontece. A corrupção continua latente.
E o subdesenvolvimento é tão gritante na maior parte dos países; alguns, com riquezas de fazer corar certos países Ocidentais, nomeadamente, da União Europeia.
Mas, o que acontece é precisamente o contrário.
Têm de ser estes mesmos países a subvencionarem esses Estados africanos com donativos que, caso não imperasse a corrupção e a delapidação do bem público, não seriam necessários.
E que fazem os povos?
Continuam, desde 1963, a festejar o mês de Maio agarrados a ideias decrépitas e já sem qualquer conteúdo, fazendo comezainas, discursos políticos ocos, dançando em festivais, reclamando por tudo e do nada.
Recriaram a União Africana, apresentando e defendendo novos ideais políticos, sociais e económicos.
Mas o que vemos?
Crises militares sucessivas: Somália, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Togo, Sudão, a região Urundi, são casos paradigmáticos.
Corrupção activa e continuada: Guiné-Equatorial, Nigéria, Zimbabwe, República Democrática do Congo, Swazilândia e Lesotho.
Crises sociais e políticos sem fim à vista: África do Sul (considerado o país onde mais crimes são perpetrados per capita), Zimbabwe, os dois Congos, Zâmbia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Sudão, Etiópia e Eritreia, Somália e Libéria.
Situações dúbias onde a corrupção, crises sociais, dissonâncias políticas existem e são assumidas sem que, à primeira vista, mereçam o destaque anterior, embora, nem por isso, menos condenáveis: Angola, Camarões, Senegal, Guiné-Conacri, Namíbia, Marrocos, Argélia, Egipto.
E o SIDA, o maior flagelo do Continente a para da Malária, Cólera e das Febres Hemorrágicas.
Enfim.
Haverá ainda condições para continuarmos alegremente celebrarmos África nestas condições?
Penso que não.
É altura do Sistema Internacional deixar de olhar África como os coitadinhos e começar a adoptar a máxima chinesa “não dar, mas ensinar obter/criar”.
É altura de serem pragmáticos, quanto baste, para que vejamos um real desenvolvimento no nosso Continente.
Devemos estar fartos de subvenções e exigir igualdades nos tratamentos e nas condições de relacionamento entre Estados.
Temos de saber exigir que as matérias-primas passem, também, a serem transformadas entre nós e possamos desenvolver a qualificação profissional dos nossos trabalhadores.
África deve ser, e tem capacidade para isso, um Continente próspero e grandioso.
Devemos procurar formas e meios para estancar a grave sangria intelectual e profissional que o Continente continua a sofrer.
Ora, porque não começar por reciclar os nossos políticos e governantes.

Publicado no Noticias Lusófonas / Opinião, de em 9.Nov.2006
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